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One more. [Apr. 8th, 2010|11:12 pm]
De manhã na aula, durante a tarde na rua e a noite inteira em casa: eu passo as horas e os dias escolhendo as palavras pr’as coisas que eu vou escrever pra você. Recortando, salvando e imprimindo tudo de bonito e triste que eu encontro. Eu pauso e repito as músicas pra guardar os versos e refrões mais doces.
Eu detesto os presentes que você me dá. Adoro, mas detesto. Trocaria todos, sem pensar vez alguma, pelo que eles vieram substituir. É pra não passar batido ou pra recompensar, mas não quero recompensas. Eu só quero conversar você. Eu só quero que você queira muito saber das minhas palavras escolhidas e dos meus recortes, onde estão os papéis que eu imprimi, e quais partes de quais músicas me fizeram pausar, repetir, anotar, anotar, repetir, ler, reler e cantar. Não que eu precise depois de muito procurar, encontrar alguma coisa e me prender a ela durante muito tempo pra ter você em mente. Na verdade, até quando passarinhos cagam em mim eu penso em você. Não que passarinhos e seus dejetos se assemelhem a ti, mas acontece que eu carrego você comigo em todo e qualquer milímetro do meu coraçao, e todo e qualquer sentimento que tem mim toca a ‘você’ que tem dentro de mim. Mas entre passarinhos e suas breianças e musiquinhas românticas eu fico com a segunda opção, porque queira eu ou não, faça-me bem ou faça-me mal, é o que em mim é diagnosticado: l–o–v–e.
Mas enfim, depois de ter ido muito além do que eu queria ir com isso, só queria que você soubesse que todas as folhas de papel que eu uso pra te rabiscar (amor), estão guardadas numa caixa encapada de um plástico tão bonito e amarrada com minha fita favorita. E pra quando você tiver vontade de verdade de abrí-la, eu te conto que estão na parte de cima do meu armário. Demora muito pra você me pedir a escada?
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Le Love [Feb. 22nd, 2010|12:10 am]

i can't. i can't i can't i can't.
i can't do this anymore. its going to kill me. i just can't. i need to move on.
but.
i can't stop loving her. i can't and i need to because its the worst thing ever.
i can't because thinking of everything that happened literally makes me sick to my stomach.
i can't because she's the only one i ever think about.
she's the one i don't want to think about, but i cannot stop.
i can't because i never got to kiss her, i never felt her breath between my lips.
i can't because i spend my days fantasizing about her surprising me,
showing up on my doorstep, telling me she made a mistake.
i can't because i see her everyday.
i can't because i think about having herin my arms every second.
i can't because the way our fingers intertwined was perfect.
it felt warm and soft and right.
i can't because she understood me.
she just got me.
i can't because we would be perfect together.
i know we would. and it's too hard for me to give up on that.
i can't because EVERYTHING makes me think of her.
chocolate. music. shoes. ice cream. nose rings.
and every time i see her im completely overwhelmed.
i can't because i practically start crying in the middle of the mall when a song comes on that makes me think of her. which is a lot of songs.
i can't because i've tried and it doesn't work. i want to stop so much.
its just not going to happen.
i can't because i don't see other guys. i don't even see them as being guys.
its like they don't exist to me now.
i can't because i imagined our insane, amazing, beautiful future and it's all i want.
i thought it was really going to happen and now the pain is eating me up.
i can't because i want her more than i've ever wanted anything in my life.

i can't breathe. i can't focus. i can't be without her. i can't go the rest of my life wondering what it would have been like.

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. [Jan. 25th, 2010|03:54 am]

Eu também estou cansada de procurar. Na verdade eu também estou cansada de achar. E eu não queria mais olhar para fora e também ver que nada ia ser diferente, como sempre.
Nunca fui do tipo que faz promessas de ano novo e que vê muito significado nisso tudo. Sempre foi dia após dia. Mas ajoelhada, juro que pedi a Deus que me fizesse diferente esse ano, simplesmente porque não queria mais ser eu. Apostei todas as minhas fichas em fazer as coisas de maneira oposta ao que faria nos outros 19 que se foram. Estufei tanto o peito, e de repente tive tanta coragem. Acreditei demais e subi mais que podia. Acho que aí a queda foi maior.
Então eu odeio tudo que eu sinto. As minhas risadas são falsas porque choro em silêncio – assim, eu choro sempre. Mal consigo respirar em meio a tanta dor e agonia.
Eu disse o que disse e era realmente o que queria dizer. Mas agora eu me arrependo. Tola por querer ser tão cuidadosa. Agora, o mundo se tornou tão feio. Agora, todas as noites tenho o mesmo pesadelo em que eu desisto de fazer o que me é proposto porque não vejo mais cor e não ouço mais som. Ninguém tambem me ouve. Ninguém tambem me vê. Ninguém se importa. Mas sofrimento não tem mesmo som, nem gosto, nem cara de coisa nenhuma.
Eu sinceramente não vejo saída, simplesmente porque não depende mais de mim. Não está mais sob meu controle. Continuo querendo e acreditando muito além do que eu posso e sonhando muito mais do que vai acontecer. E isso contribui para que as milhoes de borboletas que insistem em voar no meu estômago se reproduzam meio a socos e chutes, mas reproduzam. E elas me levam aonde eu não posso ir e me prendem ali. Como se não bastasse, convidam Deus e o mundo a se juntarem a elas, me chutando e socando por dentro o por fora, até que eu acorde e vá embora.
Não existe mais sequência nem nexo. Nem sentido e nem vontade. Acho que vou só dormir.

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don’t you feel like sometimes you should really REALLY stop? [Jul. 22nd, 2009|10:13 pm]

   Chegou a tarde. Chegou a noite. A tempestade se desfez. Lá fora estava novamente tudo quieto. Nada se movia. Tudo parecia morto. 
   Beatriz não chorava mais. Estava deitada na cama estreita, com os olhos abertos fitando o teto.
- Beatriz, não é pra tanto. Você tem que parar de pensar no pior. Parar com essa sua paranóia. Hum? Levanta. Vem cá. Vem, Bia. Olha, vou colocar então um cd aqui, ta?
- Desliga isso, André. Não quero escutar música.
- Ah! Pelo menos pra reclamar você abriu a boca. Num fica assim. Num tem motivo. Pra quê essa aflição toda?
- É. Eu sei que é meio sem motivo. Mas é que as coisas às vezes tomam certas dimensões, a gente perde o controle. Eu sei que eu tenho que parar com isso. Com isso tudo e parar logo. Mas é difícil, André. Sabe? É difícil. 
   Trocou o cd, e sentou de novo na cama. Entrelaçou os dedos e baixou as mãos nas pernas. Tinha a cabeça baixa e um ar abafado que doía a qualquer um que respirasse. Ia murchando devagar e às vezes ameaçava deitar de novo. Não despregava os olhos do chão e este às vezes parecia proibi-la de mudar de posição. Então ela voltava à postura murcha, com as mãos entre as pernas.
- Pronto, ele chegou.
   A cabeça levantou tão rápido, e do mesmo jeito, os olhos que brilhavam aliviados, foram enxugados. Limpou as mãos molhadas de lágrimas sujas de rímel no vestido de malha verde escuro e ficou logo de pé, procurando algo pra fazer:
- Ah, que ótimo.
- Como assim? O quê que você ta fazendo?
   Beatriz parou, apoiou as mãos na cadeira de madeira da escrivaninha e respirou fundo:
- Olha, André. As coisas são muito complicadas. É que às vezes a gente só sabe que é melhor se afastar das pessoas. Mas a gente não pode mandar no coração. Entende? Não, né? Nem eu, meu bem. Mas vem aqui. Às vezes a gente sente que as pessoas de quem a gente gosta, não gostam tanto da gente assim. E isso deixa a gente muito triste, sabe? Então temos com a gente de que é melhor deixar de amar. Mas a gente não escolhe o que sente pelos outros. Aí, ficando longe o amor acaba diminuindo. Entendeu?
- Não. Não entendi por quê é melhor assim. Por quê?
- Porque é, André. Porque é! É melhor!

   Passou a noite. Chegou a manhã. Lá fora tudo se movia. Nada parava quieto. Mas tudo ainda parecia morto.

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Re: [May. 10th, 2009|11:24 am]

   Sempre que leio qualquer texto que traduz o que eu sinto, me pergunto se, apesar dos pesares, somos todos iguais.  Não sem antes me apaixonar, mesmo que por alguns minutos, achando que encontrei minha alma gêmea. Entenda. Eu sou menina. 
   E sendo uma menina diferente de todas as minhas amigas, eu me desiludo tão rápido e acho o mundo tão triste e vazio. Tão cheio de meninos e meninas e velhos e crianças confusas, perdidas, mas ainda assim, tão cheias de vontades. Tão cheias de sonhos. E tão cheio de sonhos.
   E por ser uma menina diferente de todas as minhas amigas, que nem sempre entendem o que eu faço, o que escrevo, o que eu não falo, o que eu critico, o que eu enxergo, e o que não sinto, eu pareço estar sendo fechada em algum lugar, e pareço tropeçar nas minhas próprias pernas e não entender nada do querer entender os outros.
   Eu dificilmente faço o que tenho vontade de fazer. Eu raramente vivo. A não ser que você considere passar grande parte do tempo em frente à um computador, ouvindo músicas repetidas e imaginando e criando cenas, situações, conversas, porque meu MSN está vazio, eu já aprendi a cantar todas as músicas e as pessoas conseguem se divertir sem mim viver.
   Então eu passo a sair sempre de casa, a beber, a dançar, a beber, a beber, a beber exatamente como as minhas amigas tão diferentes de mim. E adivinhe só. Eu consigo conversar com um milhão de pessoas desconhecidas, pular, abraçar e sorrir pra quem eu detesto, mas todas as cenas que eu imaginei ainda não aconteceram. E eu consigo ficar sóbria em um segundo, e então perder toda minha coragem e me tornar incapaz de fazer o que quero fazer. 
   E ai eu me pergunto se sou destinada à sempre sonhar e nada além disso, ou se só preciso descobrir alguém que me mantenha constantemente inconsciente.

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"My darling?" [May. 1st, 2009|04:57 pm]
So I saw this girl at a party the other night, and she was really really cute, and so I started wondering if she was someone who hated small talk, and didn't hang out in bars, and wasn't interested in playing games, and maybe we could fall in love right then and there, and maybe she could always hold my hand in public, and always smell good, and not complain that I don't make much money, and give me the feeling that I can do anything, and tell me I'm good-looking, and make me feel like I'm the only guy in the world, and not be a vegetarian but have a moral opposition to veal, and not look around the room restaurant, and never stay mad at me for too long, and make me coffe at least 50% of the time, and tell me i look cool when i drive, and never answear her cellphone and we're hanging out and not talk about her ex-boyfriends all that often, and write me silly notes sometimes, and say I'm dark and mysterious even after you've known me for a while, and not get mad at me when i phone her when I'm drunk, and not get mad that I never remember the rules for poker, and make everything all better when I have a crappy day, so then I tried talking to her but it was awkward for some reason so I went home.
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Any less alone [Apr. 21st, 2009|04:43 pm]

   Era um galpão em L, revestido por um mundo de janelas que iam do teto ao chão, e estavam sempre cobertas por cortinas empoeiradas. Alguns sofás, um telão, caixas de som, cadeiras coloridas, uma mesa comprida e duas portas pretas: uma pro banheiro, outra pra cozinha. Lá no fundo uma cama de casal bem baixa, dois travesseiros com suas respectivas fronhas listradas de amarelo e branco, e o mesmo lençol preto de sempre que agora cobria duas meninas:
- O que você quer que aconteça hoje?
- Quero que o dia passe sem mim. Não quero ninguém lembrando do meu aniversário. Não atenda a porta e desligue meu celular, por favor.  
- Não é assim que ele fala!
- Claro que é! É você quem sempre erra as falas.
- Eu detesto esse livro.
- Mas foi você quem me recomendou! Como pode odiar? Você é uma mentirosa.
- É porque eu sei que você gosta de coisas ruins.
- E eu te amo.
- O que você quer que aconteça hoje?
- Eu queria ficar nessa cama ate encher o saco e ter vontade de fazer alguma coisa. A gente pode pedir pizza e comprar filmes pela tv.
- Ele já te ligou 5 vezes. E mandou entregar flores. Tão lá na cozinha.
- Ele que se dane, me dá um cigarro. Você não vai almoçar com essa sua porcaria de namorado novo que eu nem sei quem é.
- Vou sim. Eu estava só esperando você acordar. Meus cigarros acabaram. Você levante dessa cama, vá tomar um banho, terminar seus afazeres, comer algo que presta, arranjar alguma coisa pra vestir e me encontre no bar do hotel às 7. Não vou te deixar enfurnada em casa de novo. E essa maquiagem vai apodrecer na sua cara. Estou falando sério.
- Eu detesto você. 
   Tirou a roupa, entrou no banheiro e saiu de lá com um vestido vermelho e uma bicicleta bastante antiga. Percorreu todo o galpão em cima dela. Colocou um cd que encontrara em cima da mesa para tocar e gritava junto com a música para todo e qualquer objeto que atrapalhasse ela e a bicicleta: And every girl in every girlie magazine can’t make me feel any less alone! 
   Parou de repente. Soltou a bicicleta, tirou o cd, arrancou um notebook de uma caixa de papelão. Ligou e digitou:

“Meus dias são como sábados com céu azul, piquenique, suco de morango e canudinho de doce de leite.
O mundo inteiro me lê, me ama, me inveja e me investiga.
E eu não vou contar à vocês sobre o jeito dele de recolocar minhas mechas detrás da orelha, nem sobre o meu sorriso babaca enquanto escrevo isso. Não se conta sobre um sorriso..."

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Fucking well come and find me. [Apr. 12th, 2009|05:33 pm]

-- Are you leaving? For how... how long?
-- I don’t know.
-- But why? What’s wrong? Why this now?
-- I fixed here, but it’s not my life, Penny. It’s not my language, not my house… I need to go back. 
   Entrou e sentou no ônibus velho de bancos de couro que fediam a mofo. Abriu seu livro de capa dura, tão velho e fedido quanto o ônibus. Sentada no sofá vermelho da sala de estar da casa de Penny, tinha imaginado sua volta à Nova York no mínimo diferente. Devia estar envolvida por cores claras, quase brancas, sem nenhuma velha rabugenta ao seu lado ou chutes de um loirinho magricela nas costas do banco. 
   Com tamanha harmonia, Camila só conseguia resmungar do livro: “parou de repente, encantada, e fechou os olhos com um sorriso feliz. -- Isso não existe. Não existe, nem nunca existiu. Nunca vi ninguém parar no topo de uma ladeira depois de ter passado o dia todo lavando roupas, e fechar assim os olhos, sorrindo, por qualquer que fosse o motivo.”
   Fechou o livro e começou então a supor significados pra toda aquela sua nostalgia. Talvez pudesse já ser saudade daquele apartamento escuro e cinza, colorido em alguns cantos por móveis vermelho sangue. Talvez ela devesse ficar. Mandar parar o ônibus naquele segundo e voltar correndo, fazendo finalmente existir todas aquelas fantasias literárias. 
   Enquanto os quilômetros passavam, seu coração oscilava entre frases soltas do livro: Vamos parar aqui mesmo. Mamãezinha querida, eu gosto muito de você. Ontem. Hoje. Amanhã. Então foi indo, sem saber o que fazer, até que o ônibus parou em Nova York.  
-- Típico de uma menina sem coragem.
  Saiu do ônibus e prometeu para si que seria seu último resmungo. O sol estava se pondo e a cidade estava toda laranja. Engoliu um cachorro quente seco, achando a melhor coisa do mundo.
-- Maldito seja o amor. Me roubou Nova York, os cachorros quentes, e minha chance de usar todas minhas roupas extravagantes. Damn, Penny! I hate you so bad. 
   Decidiu que devia despedir de Los Angeles, Mansonville, Lãs Vegas, São Francisco e NYC em algum bar do SoHo. Não queria, nem podia ficar bêbada, mas bebeu de tudo que existia. No estado que se encontrava, a única coisa que conseguiu, foi refazer o percurso andado durante a tarde. Dando volta em alguns quarteirões e caindo em quase todas as esquinas, ela voltou pra Rodoviária. Dali, pra dentro do ônibus que agora tinha cheiro de couro legítimo. Desse agora, para o apartamento cinza de Mansonville e direto para os braços de Penny.

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HELL [Mar. 19th, 2009|03:53 pm]
Eu preciso experimentar o significado do vazio de não fazer porra nenhuma para ter vontade de verdade de fazer alguma coisa, algo que a longo prazo se mostrará positivo e que nada, absolutamente nada, vai fazer com que eu mude de idéia.
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(no subject) [Mar. 16th, 2009|10:45 pm]
Os sonhos, na iminência de se realizar, podem se transformar em pesadelos.
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