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-- Are you leaving? For how... how long? -- I don’t know. -- But why? What’s wrong? Why this now? -- I fixed here, but it’s not my life, Penny. It’s not my language, not my house… I need to go back. Entrou e sentou no ônibus velho de bancos de couro que fediam a mofo. Abriu seu livro de capa dura, tão velho e fedido quanto o ônibus. Sentada no sofá vermelho da sala de estar da casa de Penny, tinha imaginado sua volta à Nova York no mínimo diferente. Devia estar envolvida por cores claras, quase brancas, sem nenhuma velha rabugenta ao seu lado ou chutes de um loirinho magricela nas costas do banco. Com tamanha harmonia, Camila só conseguia resmungar do livro: “parou de repente, encantada, e fechou os olhos com um sorriso feliz. -- Isso não existe. Não existe, nem nunca existiu. Nunca vi ninguém parar no topo de uma ladeira depois de ter passado o dia todo lavando roupas, e fechar assim os olhos, sorrindo, por qualquer que fosse o motivo.” Fechou o livro e começou então a supor significados pra toda aquela sua nostalgia. Talvez pudesse já ser saudade daquele apartamento escuro e cinza, colorido em alguns cantos por móveis vermelho sangue. Talvez ela devesse ficar. Mandar parar o ônibus naquele segundo e voltar correndo, fazendo finalmente existir todas aquelas fantasias literárias. Enquanto os quilômetros passavam, seu coração oscilava entre frases soltas do livro: Vamos parar aqui mesmo. Mamãezinha querida, eu gosto muito de você. Ontem. Hoje. Amanhã. Então foi indo, sem saber o que fazer, até que o ônibus parou em Nova York. -- Típico de uma menina sem coragem. Saiu do ônibus e prometeu para si que seria seu último resmungo. O sol estava se pondo e a cidade estava toda laranja. Engoliu um cachorro quente seco, achando a melhor coisa do mundo. -- Maldito seja o amor. Me roubou Nova York, os cachorros quentes, e minha chance de usar todas minhas roupas extravagantes. Damn, Penny! I hate you so bad. Decidiu que devia despedir de Los Angeles, Mansonville, Lãs Vegas, São Francisco e NYC em algum bar do SoHo. Não queria, nem podia ficar bêbada, mas bebeu de tudo que existia. No estado que se encontrava, a única coisa que conseguiu, foi refazer o percurso andado durante a tarde. Dando volta em alguns quarteirões e caindo em quase todas as esquinas, ela voltou pra Rodoviária. Dali, pra dentro do ônibus que agora tinha cheiro de couro legítimo. Desse agora, para o apartamento cinza de Mansonville e direto para os braços de Penny. |